O TEMPO MEDIDO PELO JUDICIARIO Ê DIFERENTE

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VOCÊ APROVARIA ELIMINAR O CÁRCERE FEMININO?

segunda-feira, 12 de abril de 2010

PARABENS AO JUDICIÁRIO A FRENTE DA INÉRCIA ESTATAL

Justiça interdita cadeia e concede prisão domiciliar

Juízes da Vara de Execuções de Porto Alegre determinaram a interdição da Casa Albergue Feminino (CAF) e do anexo da unidade, em Porto Alegre, e concedeu prisão domiciliar, por 30 dias, para as 150 presas dos regimes aberto e semiaberto que cumpriam pena no local.
De acordo com informações do Tribunal de Justiça, no início desta semana, os juízes já haviam determinado a interdição da CAF e a remoção das condenadas para outro local, em 24 horas.
O Ministério Público gaúcho fez uma inspeção na CAF em 30 de março. De acordo com a promotora Sandra Goldman Ruwel, a casa estava superlotada e apresentava péssimas condições de higiene e salubridade.
À Justiça, a Superintendência de Serviços Penitenciários (Susepe) teria informado que está construindo albergue emergencial e pediu a concessão de mais 15 dias para cumprir a decisão. Para os juízes, no entanto, não é possível estender o prazo.
A Susepe disse que as obras dos novos prédios devem ser concluídas dentro do período em que as presas permanecerão fora da cadeia.
O Ministério Público informa que as presas devem fornecer o endereço onde poderão ser localizadas. Elas também devem permanecer em casa durante a noite e nos finais de semana. Além disso, devem se apresentar semanalmente, para assinar o livro de comparecimento. Se as regras não forem cumpridas, a prisão domiciliar deve ser revogada. Com informações da Rádio Gaúcha e do portal G1.
http://www.conjur.com.br/2010-abr-10/justica-interdita-cadeia-concede-prisao-domiciliar-detentas-rs

domingo, 4 de abril de 2010

PRESÍDIO CRECHE , O QUE MAIS PODE SE ESPERAR DA ALIENAÇÃO SOCIETÁRIA

Sábado, 3 de abril de 2010

Ministro da Justiça defende creche nos presídios


  Em entrevista ao site Consultor Jurídico, o ministro da Justiça, Luiz Paulo Barreto, informou que a Estratégia Nacional de Segurança Pública, lançada pelo Ministério da Justiça em fevereiro deste ano, inclui “uma nova visão do sistema prisional do país”, com previsão de construção de novas penitenciárias, sendo algumas femininas. Ele disse que seu ministério tem financiado sistemas de presídios para mulheres e os estados já começam a executar esses projetos.
Uma das medidas foi adiantada por Barreto: “Os presídios (femininos) têm unidades de creches, para que o filho possa estar ao lado da mãe mesmo quando ela está cumprindo pena”. Segundo ele, “o problema é grave”, o país chegou a “um quadro de desinvestimento” no sistema prisional como um todo. “Não investimos na formação de agentes penitenciários como deveríamos, não investimos na gestão penitenciária como poderíamos e não investimos sequer na construção de unidades penitenciárias. Mais do que isso, poderíamos investir na formação de uma consciência social desse problema”, disse o ministro.
Na questão prisional, a mulher detenta vai receber um tratamento diferenciado do Ministério da Justiça. Segundo dados do Sistema de Informações Penitenciárias (Infopen), o Brasil tem 31.401 mulheres presas, número que representa 6,6% do total de presos no país. Barreto defendeu, ainda, unidades exclusivas para abrigar as prisioneiras, para evitar casos como o que aconteceu no Pará, no ano passado, em que uma moça ficou na cadeia junto com homens, sofrendo mais violência. “Temos de reverter isso. E como as mulheres não são maioria no sistema prisional, acho que cabe uma política específica mais direcionada ao resgate dessas pessoas como atores sociais.”
E você, o que acha da idéia de colocar creches nos presídios femininos? Deixe seu comentário.
Veja a íntegra da entrevista:
A Lei Maria da Penha alterou a atuação do Ministério da Justiça na proteção à mulher?
Luiz Paulo Barreto – O Ministério da Justiça tem investido na estruturação das delegacias especializadas na violência contra a mulher, conforme prevê a Lei Maria da Penha. A lei foi muito importante por jogar foco no Brasil sobre um tema que até então era tratado de maneira muito escondida. Dependia muito da mulher denunciar, dependia de movimentos sociais que tentavam mostrar à mulher que mesmo sendo o marido, o companheiro, essa pessoa não tinha direito de agredir. A mulher sabe disso, mas acaba aceitando. O Ministério, através da Secretaria de Reforma do Judiciário, realizou 52 convênios com Tribunais de Justiça, Defensorias Públicas, Ministério Público e investiu R$ 24 milhões no período de 2008/2009, para estruturação das unidades de atendimento à mulher. Foram 35 Juizados de Violência contra a Mulher, 26 núcleos especializados de atendimento da Defensoria Pública, 16 do Ministério Público, delegacias, centros de referência e casa de abrigo, onde o MJ investiu em equipamentos e divulgação dos direitos da mulher.

Quais resultados se esperam com esses investimentos?
Luiz Paulo Barreto – É o apoio de uma estrutura formal para que a lei se implemente e não fique apenas como um conceito jurídico, legal. Queremos uma aplicação prática com condenação dos agressores e com proteção da mulher. Foi feita uma pesquisa que mostrou que as mulheres geralmente não denunciam os companheiros por medo do desamparo econômico. Se isso é um indicador importante, então nossos investimentos devem estar em casas de abrigo, centros de referência, para que essas mulheres tenham apoio jurídico na separação, na divisão de bens e fixação de pensão, e também possam ter uma integração laboral. São centros de proteção social à mulher para que essa vinculação econômica não seja mais fator de tolerância às agressões. A mulher tem de ter um apoio para se firmar como cidadã e impedir que isso volte a acontecer. Esse é o aspecto refinado dessa cultura que o MJ tem influenciado, tanto nas defensorias como MPs, delegacias, juizados e também na publicação de livros e material de divulgação para trazer luz a esse debate. A Secretaria Especial de Políticas para Mulheres é parceira do MJ nesse trabalho e vem nos ajudando tecnicamente a identificar qual é a melhor maneira de amparar a mulher vítima de violência.

Esse trabalho encontra ressonância no Judiciário?
Luiz Paulo Barreto – Há muita sensibilidade, mesmo porque cresce o número de juízas no Brasil e elas são duras a esse respeito. São 35 juizados especializados na violência contra a mulher. Isso mostra que o Poder Judiciário tem sido sensível a essa questão, até mesmo porque o Judiciário já percebeu que a judicialização pura e simples desse tipo de caso não traz solução. Me lembro que no tempo de estagiário na Defensoria, quando uma mulher narrava uma questão de agressão, nós rapidamente preparávamos o processo, pedíamos separação de corpos, fixação de pensão alimentícia e dois dias depois a mulher voltava e desistia da ação, alegando que dependia do companheiro economicamente. Ruim com ele, pior sem ele. E nós não tínhamos sequer como indicar um centro de referência, uma juíza para dar amparo. Muitas vezes, ou por medo ou por necessidade, ela desistia da ação e continuava a sofrer a violência física e moral. Hoje, a Defensoria tem alternativas para oferecer proteção. E o Poder Judiciário compõe esse quadro como um todo.

O presidente do CNJ, ministro Gilmar Mendes, fez um apelo para que o Estado resolva o problema do sistema prisional. Como o MJ atua na assistência às prisioneiras?
Luiz Paulo Barreto – O MJ apoia esse chamado feito pelo presidente do CNJ e adere de forma entusiasmada. O ministro Gilmar Mendes tem razão e faz um grande serviço ao país ao chamar atenção para essa questão e tentar junto ao CNJ empreender uma discussão mais ampla a respeito desse assunto. O Ministério também vem fazendo isso. Nós temos o Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci), que tem várias vertentes de prevenção à violência e à criminalidade. Uma das vertentes principais é o presídio para mulheres. São dois tipos de presídios, um para jovens adultos e um para mulheres. Eu tive a oportunidade de acompanhar com os arquitetos as plantas dos presídios e vi que eles têm unidades de creches, para que o filho possa estar ao lado da mãe mesmo quando ela está cumprindo pena, a unidade de tratamento psicosocial, a unidade que ajuda a mulher na reintegração social após o cumprimento da pena de maneira mais protegida do que ocorre normalmente.

Esses presídios são apropriados para a recuperação das detentas?
Luiz Paulo Barreto – São presídios que permitem reabilitação efetiva social. A primeira coisa que se tem de fazer é a análise de quem entra no sistema. A mulher que entrou por roubo ou por envolvimento com o narcotráfico tem um aspecto econômico por trás do seu delito. Então, é claro que a recuperação vai ter de estar vinculada ao aspecto econômico que gerou o crime. Ela vai ter de ser capacitada no sentido laboral, treinada, vai estudar no presídio e quando sair tem um sistema que ajude a colocar essa mulher no mercado de trabalho. Se ela é uma pessoa violenta, por algum trauma, porque sofreu algum tipo de abuso, terá um acompanhamento psicossocial para tratar esse trauma. Com isso, quando sair da prisão poderá se reintegrar com superação do que ocorreu.

Esses projetos já estão sendo executados?
Luiz Paulo Barreto – O MJ tem financiado sistemas de presídios para mulheres, os estados começam a aplicar esses projetos, e nós achamos que esse tipo de pena facilita a reabilitação. Muitas vezes, a mulher presa não participa de grupos criminosos, não foi presa por envolvimento com quadrilha, embora isso já exista e cresça no Brasil. Mas, nesses presídios temáticos ou mais especializados nós vamos conseguir dar à mulher uma condição de reintegração social mais simples.
A mulher é prioridade para o MJ?
Luiz Paulo Barrto – Na questão prisional, nós priorizamos cada vez mais que tenhamos unidades especializadas em tratamento da mulher presa. Para impedir, por exemplo, o que aconteceu no Pará no ano passado, em que uma moça ficou na cadeia junto com homens, sofrendo mais violência ainda e certamente criando um quadro de improvável reintegração social após o cumprimento da pena. Temos de reverter isso e como as mulheres não são maioria no sistema prisional, não chegam a 10% do total, acho que cabe uma política específica mais direcionada ao resgate dessas pessoas como atores sociais.
Há algum projeto direcionado ao jovem?
Luiz Paulo Barreto – O Ministério tem um projeto em que tenta resgatar o jovem ou a jovem que está se iniciando no processo criminoso. Às vezes, numa área conturbada, um jovem começa a praticar pequenos furtos. É a hora de resgatar esse jovem e dar a ele recursos formativos e sociais para tirá-lo da mão da criminalidade. Desenvolvemos mecanismos para identificação desses jovens, no projeto chamado Mulheres da Paz. Essas mulheres identificam esses jovens na comunidade e indicam para um tratamento social. Isso passa pela sensibilidade feminina, a estrutura matriarcal que muitas vezes impera, já que o pai está preso, às vezes morreu ou abandonou a casa, e é a mulher que acaba cuidando dos filhos, tendo um papel importante também nas políticas preventivas de violência e de criminalidade no Brasil. De todas as políticas, a proteção da mulher e a própria construção de um Brasil mais seguro para retirar essas pessoas da criminalidade, passam invariavelmente por políticas de envolvimento com as mulheres que têm hoje um papel fundamental junto às famílias, aos jovens e à sociedade.
E quanto ao sistema prisional como um todo, o que o MJ está fazendo?
Luiz Paulo Barreto – O MJ lançou em fevereiro a Estratégia Nacional de Segurança Pública. Uma das vertentes dessa estratégia é a questão prisional. Primeiro, pelo sistema de mandados de prisão. Não podemos conviver com um sistema de mandados de prisão absolutamente ineficiente. O presidente do CNJ me disse que soube de um mandado de prisão contra o Lampião ainda sem o contramandado. O sistema hoje tem de ser informatizado. Temos de ter a inclusão e a exclusão dos mandados num sistema online, para o Brasil inteiro. Temos tecnologia para isso. E, junto com isso, uma nova visão sobre o sistema prisional brasileiro. Investimentos, não apenas na construção de engenharia civil. Temos de ter presídios com uma gestão mais voltada para a reintegração das pessoas. Não é depósito de presos, não precisamos mais construir cadeias simplesmente como uma unidade de construção civil, concreto e pedra para segurar pessoas confinadas. A população tem de ter sensibilidade e saber que o preso volta ao convívio social. Se nós temos hoje unidades físicas de presos, se tivermos gestão, vamos transformar isso em algo mais, uma unidade que prenda e reeduque efetivamente, trabalhe para a reintegração dessa pessoa na sociedade.
É possível transformar esse sistema prisional que o país tem hoje?
Luiz Paulo Barreto – Infelizmente, nós temos muitos modelos isolados de cadeias, mas que funcionam e mostram que ainda há uma saída que poderia ser replicada e intensificada. Mostra também que o problema é grave, nós chegamos a um quadro muito grave de desinvestimento no sistema prisional como um todo. Nós não investimos na formação de agentes penitenciários como deveríamos, não investimos na gestão penitenciária como poderíamos e não investimos sequer na construção de unidades penitenciárias. Mais do que isso, poderíamos investir na formação de uma consciência social desse problema.
Por que chegamos a essa situação?
Luiz Paulo Barreto – Porque, cada vez que se fala de presídios, os políticos saem do tema, porque acham que prisão não gera voto. E isso ocorre porque a população também não quer se envolver no tema do sistema prisional. Há uma teoria de que a vingança social está permeando as penas no Brasil. Temos de afastar cada vez mais essa teoria, porque o Brasil do século XXI, moderno e grande como é hoje, não pode mais ter um sistema prisional do século XIX. Temos que efetivamente trazer uma gestão penitenciária que venha se responsabilizar pela condição que se quer dar a uma pessoa. Se ela é irrecuperável, tem de ser afastada do conjunto social e enquanto estiver afastada não pode praticar crimes de dentro do presídio. Se essa pessoa é recuperável, ela tem de ter acesso a um sistema de recuperação que permita uma segunda chance. Não podemos mais conviver com um sistema que não reintegra, nem sequer afasta o criminoso da sua atividade criminosa.
http://www.mulherescomdilma.com.br/?p=1308

domingo, 28 de março de 2010

problemas nas instalações do Conjunto Penal Feminino.

27/03/10 - 10h36 - Atualizado em 27/03/10 - 10h39

Ministério Público pede interdição de cadeia feminina em Salvador

Foram constatados problemas nas instalações do Conjunto Penal Feminino.
Para promotores, prisão não teria ambiente para manter detentas.
Do G1, em São Paulo



O Ministério Público da Bahia pediu a interdição do Conjunto Penal Feminino de Salvador e a transferência de todas as presas, de acordo com informações divulgadas em nota emitida pelo órgão na sexta-feira (26). Os promotores de Justiça Edmundo Reis e Gilberto Amorim, que são os autores do requerimento, encaminharam o documento à Vara de Execuções Penais.

De acordo com a nota, os promotores alegam que o local não possui instalações elétricas adequadas e que as condições de higiene são precárias. O edifício também estaria com hidrantes inoperantes e extintores de incêndio vencidos.

Inspeções da Vigilância Sanitária e do Corpo de Bombeiros teriam constatado a existência de irregularidades no estabelecimento, tanto na estrutura quanto nas condições de higiene. Ainda segundo a nota, essa prisão não teria ambiente adequado para manter as detentas

http://g1.globo.com/Noticias/Brasil/0,,MUL1547279-5598,00-MINISTERIO+PUBLICO+PEDE+INTERDICAO+DE+

domingo, 7 de março de 2010

Em julho de 1970, Lucía foi presa e enviada para o cárcere de Cabildo,

Despindo o figurino 'primeira-dama'

Por lei, ela não é. Por vontade, menos ainda: a vida de Lucía, a mulher que empossou o marido, no Uruguai
Carolina Rossetti - O Estado de S.Paulo

Em 1º de março, Lucía Topolansky foi protagonista de um ato inédito no Uruguai. Na condição de senadora mais votada em 2009 e, portanto, presidente do Parlamento uruguaio, coube a ela tomar o juramento de posse do novo presidente da República, José "Pepe" Mujica , seu marido há mais de 40 anos.

Na cerimônia no Palácio Legislativo, Pepe dispensou a gravata. Lucía não se incomodou com o desalinho do esposo, e tampouco usou sapatos de salto agulha. "Não sou como Carla Bruni ou Michelle Obama, jovens e elegantes", admite, realista. "Sou sóbria e seguramente muito mais simples".

No Uruguai, não existe institucionalmente a figura de primeira-dama. Para Lucía, o cargo é mesmo desnecessário para a democracia. "Isso não quer dizer que não acompanharei meu marido", ressalva. "A presidência de Mujica durará cinco anos, mas minha militância vem de mais tempo e seguirá adiante. Minha responsabilidade é com a gente, no Parlamento", explica.

O casal que chegou ao topo da hierarquia política do Uruguai vive em uma chácara, nos arredores de Montevidéu, no bairro de Rincón Del Cerro, que adquiriram após a anistia de 1985, graças a um empréstimo. Ali plantam flores, atividade que Pepe já cultivava antes mesmo de ingressar no Movimento de Libertação Nacional-Tupamaro (MLN). Mudança à vista?

"Continuaremos neste lugar porque viemos para cá há muito tempo e o presidente aqui é apenas mais um cidadão", conta Lucía, justificando sua recusa em habitar a morada oficial dos presidentes uruguaios. Confessa que seria um sacrifício muito grande apartar-se de sua plantação de crisântemos, que ela e Pepe estão ansiosos para ver florescer nos últimos dias de março. Aos dois, soma-se apenas a companhia de Manuela, a única "cachorra política da história do país", segundo Pepe. A vira-lata de 16 anos foi vista sobre palanques eleitorais no ano passado, roubando a atenção dos discursos de Mujica. A vida não permitiu a Lucía ter filhos.

Conheceu Pepe na condição de companheiro do movimento tupamaro, onde ela militava desde 1969. Tinha então 25 anos, era loira, bonita e dispensava maquiagem. Com sua irmã gêmea, Maria Elia, cursou arquitetura na Universidade da República, o centro nervoso das mobilizações de esquerda nos anos que antecederam o golpe militar de 1973.

Maria Elia caiu na clandestinidade antes da irmã, em 1967, para horror da mãe, Elia Saavedra ? herdeira de fazendeiros espanhóis que se instalaram nos arredores do Prata em 1777 ?, e de seu pai, Luiz Topolansky ? filho de engenheiro austro-húngaro que, em viagem a trabalho ao Uruguai em 1890, se apaixonou pelo país, ficou e fez vida.

"Nós não sabíamos de nada", lembra o irmão Enrique Topolansky, referindo-se ao envolvimento político que as meninas faziam questão de esconder da família. "Era um segredo só nosso", confidencia Maria Elia. Alguns anos depois das gêmeas, a caçula Inês também ingressaria em um grupo de apoio aos tupamaros. Dos três varões da família, Luiz, Carlos e Enrique, os tupamaros nunca receberam nenhuma assistência.

Em julho de 1970, Lucía foi presa e enviada para o cárcere de Cabildo, prisão feminina do século 19 erguida na Cidade Velha de Montevidéu, onde havia também uma enfermaria e uma capela guardada por freiras. Ali conviviam as presas políticas e presas comuns.

As gêmeas rebeldes só viriam a se encontrar naquele lugar em março de 1971, com a prisão de Maria Elia. Fugiram quatro meses depois. "Os companheiros fizeram um túnel até o nosso dormitório, passando pela rede de esgoto", descreve a psicóloga Sônia Mosquera, uma das 33 presas que rastejaram na podridão, ao lado das gêmeas Topolansky, rumo à liberdade, em 31 de julho de 1971.

Ao sair de Cabildo, lá estavam elas em altas conspirações no MLN. Lucía era encarregada de fazer a propaganda do movimento, coordenar a produção de boletins e distribuir panfletos. Em agosto de 1972, foi presa novamente e passou os 13 anos seguintes no Estabelecimento de Reclusão Militar de Punta Rieles, em Montevidéu. De lá saiu somente em 1985, com exceção do dia em que seu pai faleceu de câncer e os militares a levaram para a casa da mãe, no bairro classe média de Pocitos, onde era velado o corpo.

O único contato com a família ao longo desses anos acontecia nos breves momentos de visita. "Lembro de um dia em que fui com minha mãe para Punta Rieles, mas tinham suspendido a visitação por um mês", diz Enrique Topolansky. "Lucía mais tarde me explicou que ela se recusara a fazer a faxina, depois que uma soldado derrubou, de propósito, o balde de água sobre o piso que limpava", completa o irmão orgulhoso, explicando que a resistência passiva era a maneira que Lucía tinha de manter a dignidade na prisão.

"Nesses anos tratamos de fazer com que nenhuma companheira se desmobilizasse. Estudávamos, cantávamos, fazíamos teatro. Sobrevivíamos", recorda Lucía, em entrevista ao Aliás por email. Para romper com a rígida disciplina de Punta Rieles e contornar as circunstâncias da vida, ela organizou com outras amigas um motim lírico. Na hora do recreio saíram gritando os versos do poema À galopar, de Leon Felipe, aos quais se juntaram as vizinhas de setor, em um cântico que acabou virando uma tradição em Punta Rieles.

Sobre o tempo que esteve presa, Lucía se esforça para não colecionar amarguras. Das torturas que sofreu, nenhum detalhe. "Resgato da experiência o lado positivo, porque gosto de viver olhando adiante. Aprendi a andar leve e me dar conta de que a vida e sua felicidade não passam pelas coisas materiais".

Em 10 de março de 1985, Lucía Topolansky foi anistiada e passou a tocar sua rotina com Pepe. Aos 40 anos, trabalhava na cantina da faculdade de arquitetura, fazendo comida rápida para os estudantes. Em 1989, ajudou a fundar o partido do qual hoje é a principal liderança, o Movimento de Participação Popular, que integra, com outras legendas de esquerda, a coalizão Frente Ampla.

Em 2004, chegou ao Parlamento. Assumiu no mesmo ano o cargo de senadora como suplente de José "Pepe" Mujica, convidado a ser ministro no governo de Tabaré Vásquez. Em 2009, tornou-se a senadora mais votada a bordo de uma plataforma política voltada para a construção de casas populares. "Meu problema agora é que não me tomem como conexão direta com o Executivo, com quem tomo mate todos os dias", brinca Lucía. É um desafio e tanto. 
 
http://www.estadao.com.br/noticias/suplementos,despindo-o-figurino-primeira-dama,520697,0.htm

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

tem vaga para 16 presas e ontem abrigava 59

Ultimato não muda situação de cadeias

Publicado em 25/02/2010 | Ari Silveira com colaboração de Natália Cancian, especial para a Gazeta do Povo
O ultimato dado pelo Sindicato das Classes Policiais Civis do Estado do Paraná (Sinclapol) aos delegados para que os investigadores deixem de cuidar de presos nas carceragens ainda não teve resultados práticos. Três delegacias foram notificadas na terça-feira em Curitiba, mas o 12.º Distrito Poli­­cial (DP), no bairro de Santa Feli­­cidade, já contava com oito auxiliares de carceragem há um ano e não tinha policiais atuando na guarda de presos. As outras duas, a Delegacia de Furtos e Roubos (DFR) e a Delegacia de Furtos e Roubos de Veículos (DFRV), não tiveram condições de cumprir a notificação no prazo de 24 horas.
“Desde que foram disponibilizados oito carcereiros para a nossa unidade, há mais de um ano, o quadro está completo”, disse o delegado Rogério Martin de Castro, titular do 12.º DP. O xadrez da delegacia tem capacidade para 26 presos, mas ontem abrigava 136. Com quatro anos de experiência na função, o auxiliar de carceragem Davi Rodrigues é o mais antigo do 12.º DP. “A parte braçal é conosco”, afirmou. A equipe é responsável por servir comida aos detentos, varrer o corredor e revistar as celas.
Na DFR não há auxiliar de carceragem, o que impede o cumprimento da notificação. São 50 vagas e 44 presos. Na DFRV, há apenas um único auxiliar de carceragem. Ontem havia 103 detentos onde cabem 20.
Ontem, o Sinclapol notificou as delegacias de Rio Branco do Sul, Al­­mirante Tamandaré e Colombo (Cen­­tro e Alto Maracanã). Hoje, se­­­rá notificado o 9.º DP de Curitiba, única carceragem feminina da ca­­pital, que tem vaga para 16 presas e ontem abrigava 59. Pela ma­­nhã, dirigentes do Sinclapol se reú­­nem com delegados da DFR e da DFRV.
Interior
Em Prudentópolis, os quatro investigadores que trabalham na carceragem devem deixar a guarda de presos a partir de hoje. A delegacia abriga entre 45 e 50 presos (a capacidade é para 16) e não tem agentes carcerários. A previsão é contar com o auxílio da Polícia Militar. “As tentativas de fuga sempre acontecem. E a nossa carga horária é muito maior do que as 40 horas semanais”, disse um investigador que pediu para não ser identificado.
Em Castro, a expectativa é que os policiais civis continuem a executar a função. Dois investigadores se revezam em turnos de 24 horas de trabalho para 48 horas de folga. Segundo o delegado Alisson Henrique de Souza, os policiais atuam somente na carceragem. Além deles, há um agente que permanece no cuidado dos 90 presos (a capacidade é para 35). Em Guarapuava e São Mateus do Sul, os policiais permanecem no trabalho das carceragens até as novas decisões do Sinclapol.
A retirada dos policiais civis de funções estranhas à carreira é uma das reivindicações da categoria, que foi proibida de entrar em greve por decisão judicial. O Sinclapol aproveitou a decisão da Justiça pa­­ra cobrar o cumprimento do Esta­­tuto da Polícia Civil e da legislação que rege a Polícia Judiciária. As normas só admitem o trabalho de policiais na guarda de presos quando houver interesse da investigação e antes da conclusão do inquérito.

http://www.gazetadopovo.com.br/vidaecidadania/conteudo.phtml?tl=1&id=977161&tit=Ultima

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Lei n. 12.121, de 15/12/2009 segurança interna somente agentes do sexo feminino.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Lei n. 12.121, de 15/12/2009

Acrescenta o §3º, ao artigo 83 da Lei n. 7.210/84 - Lei de Execução Penal- , determinando que os estabelecimentos penais destinados à mulheres tenham por efetivo de segurança interna somente agentes do sexo feminino.

oração